Após mais de 1 século de ausência, México trouxe 23 bisões dos EUA em 2009 e viu a manada chegar a 230 em 2021: os animais voltaram a transformar a vegetação e ajudar na recuperação do ecossistema

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A recuperação de grandes mamíferos demonstra que ecossistemas degradados podem renascer com intervenções planejadas. O retorno do bisonte ao território mexicano comprova como uma espécie emblemática restabelece o equilíbrio, renovando pastagens nativas e promovendo rica biodiversidade nas planícies históricas.

A Reserva da Biosfera de Janos abriga uma das maiores extensões contínuas de pradarias preservadas no continente.
A Reserva da Biosfera de Janos abriga uma das maiores extensões contínuas de pradarias preservadas no continente. – Imagem gerada por IA

Como os bisões retornaram às terras mexicanas após um século de ausência?

Em 2009, o governo mexicano firmou uma parceria essencial com autoridades dos Estados Unidos para reintroduzir o animal em seu território original. Assim, vinte e três indivíduos foram transportados do Parque Nacional Wind Cave diretamente para pastagens protegidas no México, iniciando um projeto histórico.

Essa translocação encerrou um longo vazio ecológico de mais de um século, provocado pela caça predatória que dizimou rebanhos selvagens no passado. A iniciativa buscou restabelecer os processos naturais das pradarias, permitindo que a espécie ocupasse novamente seu habitat ancestral com segurança.

Qual é o papel da Reserva da Biosfera de Janos nessa preservação?

Localizada no estado de Chihuahua, a Reserva da Biosfera de Janos abriga uma das maiores extensões contínuas de pradarias preservadas no continente. Dentro desse perímetro, a propriedade denominada Rancho El Uno ofereceu a infraestrutura ideal para proteger e monitorar a população inicial.

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A unidade de conservação funciona como um laboratório vivo fundamental para recuperar áreas áridas degradadas no Deserto de Chihuahua. Nesse território, equipes especializadas acompanham a adaptação dos animais e avaliam como o pastoreio controlado favorece a regeneração contínua da vegetação campestre nativa.

Abaixo, um vídeo do canal hectorferreiro no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:

De que maneira a população cresceu de 23 para 230 animais?

O grupo inicial continha fêmeas e machos jovens que encontraram alimento abundante e proteção constante contra ameaças predatórias. Graças às condições ecológicas favoráveis, os primeiros nascimentos ocorreram rapidamente, elevando os índices de reprodução e consolidando a permanência dessa espécie rara no território.

Em 2021, a contagem oficial registrou duzentos e trinta espécimes saudáveis vivendo em plena liberdade monitorada na reserva. Esse crescimento decuplicou o número original, confirmando o sucesso da estratégia conservacionista e garantindo variabilidade genética para formar novos rebanhos em outras regiões mexicanas.

Quais transformações ecológicas esses grandes animais provocam no solo?

Ao pastarem pelas planícies, esses grandes herbívoros funcionam como verdadeiros engenheiros ecológicos que moldam a paisagem ao redor. O impacto de seus cascos no solo quebra camadas compactadas, permitindo que a água da chuva infiltre profundamente e retenha umidade essencial.

Além disso, o hábito de revolver a terra cria pequenas depressões topográficas que acumulam água temporária para outros animais menores. A movimentação constante estimula a dispersão biológica de sementes nativas, fertilizando a terra naturalmente e revigorando a cobertura vegetal com plantas diversas.

Entre os principais benefícios ecológicos proporcionados pela presença da manada nas pastagens, destacam-se:

  • Aeração mecânica da terra por meio do pisoteio contínuo das patas.
  • Poda natural das gramíneas que evita o acúmulo excessivo de matéria seca.
  • Propagação eficiente de sementes por meio dos dejetos dos animais.
A experiência acumulada em Janos consolidou metodologias científicas seguras para o manejo e a proteção de grandes mamíferos.
A experiência acumulada em Janos consolidou metodologias científicas seguras para o manejo e a proteção de grandes mamíferos. – Imagem gerada por IA

Por que essa iniciativa serve como modelo para novas manadas?

A experiência acumulada em Janos consolidou metodologias científicas seguras para o manejo e a proteção de grandes mamíferos reintroduzidos. O projeto provou que a restauração de espécies nativas reativa dinâmicas biológicas vitais, tornando as pradarias mais resistentes contra o avanço do deserto.

Com o expressivo aumento populacional, Janos agora fornece indivíduos saudáveis para estabelecer novos grupos reprodutivos em outras reservas protegidas. Esse intercâmbio contínuo garante a viabilidade da espécie em longo prazo, consolidando um marco inspirador para a conservação e o futuro ambiental.

Leia mais: Nove bisões são levados a uma cidade de Guadalajara para ajudar a evitar incêndios florestais e recuperar ecossistemas perdidos, mas moradores estão divididos entre ver a ideia como uma solução genial

Fonte: catracalivre.com.br

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