Eliseu Caetano - CotaPeriscópica https://cotaperiscopica.com.br Nós estamos aqui ... Mon, 14 Sep 2026 09:33:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://cotaperiscopica.com.br/wp-content/uploads/2026/09/cropped-gen_3J8kaxcqgl0QxjapVuYIjAG0Zuy-32x32.png Eliseu Caetano - CotaPeriscópica https://cotaperiscopica.com.br 32 32 Trump mira ciberguerra e ordena maior reestruturação da NSA em uma década https://cotaperiscopica.com.br/trump-mira-ciberguerra-e-ordena-maior-reestruturacao-da-nsa-em-uma-decada/ https://cotaperiscopica.com.br/trump-mira-ciberguerra-e-ordena-maior-reestruturacao-da-nsa-em-uma-decada/#respond Mon, 14 Sep 2026 09:33:01 +0000 https://cotaperiscopica.com.br/trump-mira-ciberguerra-e-ordena-maior-reestruturacao-da-nsa-em-uma-decada/ Leia mais em CotaPeriscópica

]]>
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, vai passar pela maior reestruturação interna em pelo menos uma década. A mudança acontece sob o governo de Donald Trump e reorganiza uma das mais poderosas estruturas de inteligência dos Estados Unidos para concentrar esforços em cinco áreas consideradas estratégicas: China, inteligência artificial, cibersegurança, apoio às operações militares e inteligência global.

A NSA é responsável principalmente pela espionagem eletrônica dos Estados Unidos. É a agência que intercepta, processa e analisa comunicações e sinais eletrônicos no exterior e também tem papel central na defesa dos sistemas americanos contra ataques cibernéticos. Na prática, é uma das instituições que dão a Washington capacidade de descobrir o que governos, Forças Armadas, organizações e outros alvos estrangeiros estão fazendo por meio de comunicações digitais.

A reorganização será comandada pelo general Joshua Rudd, que assumiu a direção da NSA e o comando do Comando Cibernético dos Estados Unidos em março deste ano. O plano prevê a criação de cinco novas grandes estruturas dentro da agência, cada uma com um diretor próprio.

Uma será dedicada exclusivamente à China. Outra ficará concentrada em inteligência artificial. As demais serão voltadas para cibersegurança, apoio direto às operações militares americanas e inteligência global. A divisão dessas áreas mostra quais são hoje algumas das principais preocupações de segurança nacional dos Estados Unidos.

A China ocupa posição central. Washington considera Pequim seu principal concorrente estratégico de longo prazo e vem aumentando os alertas sobre operações chinesas de espionagem, ataques cibernéticos e tentativas de acesso à infraestrutura crítica americana. O próprio Rudd, antes de assumir a NSA, passou mais de seis anos em funções ligadas ao Indo-Pacífico e afirmou durante seu processo de confirmação no Senado que houve um aumento significativo da atividade de adversários dos Estados Unidos na região.

Ele também alertou que novas tecnologias, como inteligência artificial, ferramentas cibernéticas e sistemas autônomos, estão colocando capacidades cada vez mais sofisticadas nas mãos de um número maior de países e organizações.

A inteligência artificial é justamente outro ponto central da reforma. A NSA terá agora uma estrutura própria dedicada à tecnologia. Isso acontece num momento em que os Estados Unidos tratam a corrida pela inteligência artificial não apenas como uma disputa econômica, mas como uma questão de segurança nacional.

Nesta semana, a própria NSA, ao lado do FBI e de outra agência federal de cibersegurança, acusou empresas chinesas de inteligência artificial de realizar operações em escala industrial para extrair capacidades de modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos. Segundo as autoridades americanas, essas empresas estariam usando técnicas conhecidas como “distillation” para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas e diminuir a diferença tecnológica em relação aos Estados Unidos.

A cibersegurança também ganha peso na nova estrutura. A NSA trabalha diretamente com o Comando Cibernético dos Estados Unidos, responsável por operações militares no ambiente digital. Rudd comanda as duas instituições ao mesmo tempo. Essa combinação permite aos Estados Unidos transformar informações obtidas pela inteligência em ações de defesa ou operações cibernéticas contra adversários.

A administração Trump já vem demonstrando intenção de ampliar a capacidade ofensiva americana nessa área. Em agosto, Trump assinou um memorando permitindo que empresas privadas selecionadas pelo governo participem de operações cibernéticas contra organizações criminosas estrangeiras, sob supervisão federal. A decisão representou uma mudança importante na política americana, porque esse tipo de operação era tradicionalmente reservado às próprias agências de segurança nacional.

A reorganização da NSA também prevê mudanças em uma de suas estruturas mais sensíveis. A unidade conhecida historicamente como Tailored Access Operations, especializada em penetrar sistemas e redes de alvos estrangeiros, ficará subordinada à nova área de inteligência global e deve receber mais recursos.

O cronograma chama a atenção pela velocidade. Os novos diretores deverão apresentar os desenhos de suas estruturas até o fim de setembro. A implementação deve começar em outubro e a meta é que o novo modelo esteja plenamente funcionando até janeiro de 2027. A comparação é importante: a última grande transformação da NSA começou em 2016 e levou cerca de dois anos para ser implementada. Agora, uma reorganização de grande escala deve acontecer em poucos meses.

A mudança também faz parte de uma transformação mais ampla das agências de inteligência americanas sob Trump. A CIA anunciou neste ano uma reorganização para acelerar o uso de inteligência artificial, computação quântica e outras tecnologias avançadas. Agora é a vez da NSA redesenhar sua estrutura.

O movimento revela uma mudança nas prioridades da segurança nacional americana. Depois de décadas em que o combate ao terrorismo dominou grande parte da estratégia dos Estados Unidos, Washington está direcionando cada vez mais recursos para a disputa entre grandes potências, especialmente com a China, e para ameaças ligadas à inteligência artificial e à guerra cibernética.

Por isso, a reforma da NSA vai além de uma simples mudança administrativa. Ela mostra como o governo Trump pretende preparar uma das principais agências de espionagem dos Estados Unidos para um cenário em que informação, inteligência artificial e ataques cibernéticos podem ser tão importantes quanto armas convencionais.

Fonte: jovempan.com.br

Leia mais em CotaPeriscópica

]]>
https://cotaperiscopica.com.br/trump-mira-ciberguerra-e-ordena-maior-reestruturacao-da-nsa-em-uma-decada/feed/ 0
Reunião entre Irã e países do Golfo sobre Estreito de Ormuz é adiada https://cotaperiscopica.com.br/reuniao-entre-ira-e-paises-do-golfo-sobre-estreito-de-ormuz-e-adiada/ https://cotaperiscopica.com.br/reuniao-entre-ira-e-paises-do-golfo-sobre-estreito-de-ormuz-e-adiada/#respond Mon, 14 Sep 2026 09:30:34 +0000 https://cotaperiscopica.com.br/reuniao-entre-ira-e-paises-do-golfo-sobre-estreito-de-ormuz-e-adiada/ Leia mais em CotaPeriscópica

]]>
A reunião entre o Irã e países do Golfo, prevista para esta segunda-feira (14), em Omã, foi adiada. Ainda não há uma nova data anunciada para o encontro.

A negociação reuniria representantes do Irã, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait para discutir uma possível saída para a crise no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo. O Bahrein havia informado que não participaria.

O anúncio do adiamento foi feito neste domingo pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. Segundo ele, a decisão foi tomada “no interesse do consenso”. Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ainda que Teerã e Mascate concordaram em postergar a reunião a pedido de alguns países da região. Até agora, não foi informado quais governos pediram o adiamento.

A iniciativa do encontro partiu de Omã, que vem atuando como intermediário nas negociações envolvendo o Irã e a navegação pelo Estreito de Ormuz. A reunião não tinha como objetivo chegar imediatamente a um acordo definitivo para a reabertura completa do estreito. A expectativa era discutir diferentes propostas para a navegação e tentar construir um mecanismo temporário que permitisse uma circulação mais segura de embarcações pela região.

Entre os temas em discussão estavam as formas de administração provisória do tráfego marítimo e possíveis alternativas de longo prazo. Mesmo que os países do Golfo e o Irã consigam chegar a um entendimento regional, qualquer solução mais ampla ainda depende das negociações entre Washington e Teerã, principalmente em questões relacionadas a sanções e garantias de segurança. E esse continua sendo um dos principais obstáculos.

O Irã quer preservar um papel de controle sobre o Estreito de Ormuz e defende a possibilidade de cobrar determinadas taxas de embarcações que utilizem a rota. Omã se opõe a essa proposta. Teerã também insiste que uma reabertura mais ampla de Ormuz depende de ações dos Estados Unidos.

O chanceler iraniano Abbas Araqchi já afirmou que, mesmo que exista um entendimento com Omã, o Irã não pretende reabrir completamente o estreito enquanto Washington não atender às condições apresentadas pelo governo iraniano. Ou seja, mesmo antes do adiamento, a reunião desta segunda-feira não representaria uma reabertura imediata de Ormuz. O objetivo era criar uma base para uma eventual solução futura.

O Estreito de Ormuz é estratégico porque, antes do atual conflito, aproximadamente um quinto do petróleo consumido mundialmente passava por essa estreita faixa de água entre o Irã e Omã.

A pressão sobre a região aumentou ainda mais neste fim de semana. Neste domingo, uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz. Houve incêndio e a tripulação precisou abandonar o navio. O Irã também informou que um de seus navios comerciais foi atingido perto da costa iraniana, deixando uma pessoa morta e quatro feridas.

Ao mesmo tempo, a situação piorou do outro lado da Península Arábica. Os houthis, aliados do Irã no Iêmen, avançaram sobre áreas estratégicas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que controla o acesso ao Mar Vermelho. O grupo capturou a ilha de Perim, localizada no meio dessa rota marítima.

O avanço cria um problema adicional para os países do Golfo. Com Ormuz parcialmente bloqueado, a Arábia Saudita vinha utilizando sua infraestrutura terrestre e os portos no Mar Vermelho para desviar parte das exportações de petróleo. Mas o principal oleoduto leste-oeste saudita também foi atingido por drones na sexta-feira e precisou ser fechado temporariamente.

Se as interrupções se prolongarem, uma parcela importante da oferta mundial de petróleo poderá ficar ameaçada. É justamente esse cenário que ajuda a explicar por que países tradicionalmente próximos dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, passaram a considerar negociações diretas com Teerã.

Para esses governos, a preocupação central é garantir a própria segurança e manter o fluxo de petróleo e mercadorias enquanto não existe uma solução definitiva para o conflito.

Donald Trump foi questionado neste domingo, durante sua passagem pela Irlanda, sobre a aproximação dos países do Golfo com o Irã. Perguntado se estava preocupado com a reunião, respondeu que a decisão cabia aos próprios países. “Eu não me importo. Isso depende deles”, disse Trump. O presidente acrescentou que, se os países conseguirem ficar satisfeitos com um entendimento, “tudo bem”.

A declaração chama atenção porque Washington vem insistindo que o Irã não deve controlar o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, aliados tradicionais dos Estados Unidos buscam canais próprios de negociação com Teerã.

Com o adiamento anunciado neste domingo, a principal questão agora passa a ser quando Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã conseguirão voltar à mesa.

A reunião prevista para segunda-feira poderia representar um primeiro passo para uma negociação regional sobre três questões fundamentais: quem administra o tráfego pelo Estreito de Ormuz, quais garantias de segurança serão oferecidas às embarcações e quais condições políticas e econômicas precisam ser cumpridas para que o fluxo comercial volte a aumentar.

Por enquanto, porém, esse avanço ficou suspenso. Sem uma nova data anunciada, as negociações continuam nos bastidores, enquanto cresce a pressão sobre duas das rotas marítimas mais importantes do mundo: o Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb.

Fonte: jovempan.com.br

Leia mais em CotaPeriscópica

]]>
https://cotaperiscopica.com.br/reuniao-entre-ira-e-paises-do-golfo-sobre-estreito-de-ormuz-e-adiada/feed/ 0