Dinamarquês encontra no quintal o maior tesouro de prata viking já descoberto, dentro de um pote de barro havia até moedas árabes

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No município de Rebild, na Dinamarca, reformas cotidianas alteraram a compreensão da história medieval nórdica. Durante a preparação do terreno para erguer uma varanda comum, pás atingiram um grande depósito de metal sepultado no século X sob a vegetação local.

Como ocorreu o achado acidental no terreno dinamarquês?

O proprietário da residência escandinava retirava camadas densas de terra quando escutou o impacto da ferramenta contra materiais rígidos. Inicialmente interpretado como sucata descartada, o volume continha peças antigas preservadas pela ação do tempo em profundidade relativamente baixa.

Profissionais do museu Nordjyske Museer assumiram o resgate arqueológico minucioso logo após o comunicado formal do morador. Especialistas isolaram a área residencial para recuperar centenas de fragmentos espalhados pela terra, registrando oficialmente o maior tesouro nacional daquela civilização.

Qual é a real dimensão dessa descoberta arqueológica?

Com peso expressivo de dezoito quilos e meio, o conjunto superou com ampla folga a marca anterior do Tesouro de Terslev. Essa montagem reúne cerca de setecentos fragmentos distintos, confirmando a existência de uma reserva econômica mantida por elites nórdicas.

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Dentro de um recipiente de barro, arqueólogos contabilizaram mais de trezentos itens intactos que somavam seis quilos de metal concentrado. As outras peças jaziam espalhadas no entorno imediato, demonstrando que o depósito original sofreu dispersão mecânica ao longo dos séculos.

Especialistas registraram moedas raras e ornamentos históricos preservados desde o período medieval.
Especialistas registraram moedas raras e ornamentos históricos preservados desde o período medieval.

Quais itens compunham a riqueza armazenada no recipiente?

A variedade de artefatos recolhidos atesta que a riqueza medieval não dependia apenas da circulação monetária formal padronizada. Barras fundidas conviviam com braceletes finos e pedaços recortados, compondo uma massa metálica destinada a transações comerciais baseadas na pesagem direta do material.

O costume da prata cortada permitia fracionar joias para realizar pagamentos exatos sem desperdício de material nobre. Um exemplar diminuto de martelo de Thor também integrava o lote, unindo simbolismo religioso pagão à utilidade financeira durante o período escandinavo.

A análise detalhada dos achados de Rebild identificou elementos representativos da cultura material nórdica:

  • Lingotes fundidos: barras sólidas de prata moldadas para facilitar o transporte e a guarda de grandes patrimônios.
  • Hacksilver fragmentado: pedaços recortados de braceletes e ornamentos utilizados como moeda fracionária em negociações rotineiras.
  • Amuleto nórdico: pequeno pingente figurativo associado a divindades que agregava significado cultural à reserva metálica.

Como as moedas revelam conexões entre os vikings e terras distantes?

Entre as moedas catalogadas pelos pesquisadores surgiram dirhams cunhados no mundo islâmico e pennies do monarca inglês Eduardo, o Velho. Essa variedade comprova a existência de amplas rotas mercantis que conectavam portos escandinavos ao território britânico e a centros asiáticos prósperos.

Evidências da circulação precoce desse metal no norte europeu ganharam respaldo científico recente na revista Archaeometry. Uma pesquisa geoquímica sobre moedas do tesouro de Damhus comprovou que a prata islâmica já abastecia oficinas escandinavas em larga escala desde o início do século IX.

As análises numismáticas e metalúrgicas revelam diferentes facetas do comércio medieval internacional:

  • Dirhams orientais: moedas islâmicas que cruzavam rotas fluviais da Europa Oriental até alcançarem o Báltico.
  • Pennies saxões: emissões inglesas obtidas por tributos régios ou trocas mercantis na região do Mar do Norte.
  • Reaproveitamento químico: fundição e reciclagem contínua de moedas estrangeiras para a manufatura de joias escandinavas.
    O conjunto arqueológico de prata revela detalhes valiosos sobre as rotas e o comércio da era viking.
    O conjunto arqueológico de prata revela detalhes valiosos sobre as rotas e o comércio da era viking.Imagem gerada por inteligência artificial

Por que os povos nórdicos escondiam fortunas debaixo da terra?

A prática de ocultar tesouros no solo refletia a ausência de instituições bancárias e a necessidade de proteção patrimonial em tempos incertos. Famílias abastadas enterravam suas economias para prevenir saques armados ou disputas sucessórias, pretendendo resgatá-las em momentos mais estáveis politicamente.

O esquecimento dessas reservas subterrâneas decorria de mortes repentinas, conflitos militares ou migrações forçadas que impediam o proprietário de retornar ao esconderijo. O acaso doméstico em Rebild transformou obras de jardinagem em um encontro direto com a memória material nórdica.

Leia mais: homem começou a cavar o quintal para fazer uma nova varanda e encontrou 18,5 quilos de prata viking enterrados há mais de mil anos.

Fonte: catracalivre.com.br

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