Page 15 - ANÁLISE PSICOLÓGICA E CRIMINOLÓGICA
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1.3.2 Da Dissociação
Para parecer uma pessoa normal e misturar-se aos outros seres humanos, o
serial killer desenvolve uma personalidade para contato, ou seja, um fino verniz de
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personalidade completamente dissociado do seu comportamento violento e criminoso.
A dissociação não é anormal, todos nós temos um comportamento social mais
“controlado” do que aquele que temos com nossos familiares mais íntimos.
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No caso do serial killer, a dissociação de sua realidade e fantasia é extrema.
Muitos têm esposas, filhos e empregos normais, mas são extremamente doentes. Mutilar
a vítima, dirigir a sua atuação como em um teatro ou sua desumanização também
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ajudam o serial killer a dissociar-se.
O real e violento comportamento do agressor é suprimido socialmente. Pode soar
como amnésia temporária ou segunda personalidade, mas não é o caso. A fantasia
capacita à dissociação. Quanto mais intricada, maior a distância é mentalmente criada
entre o comportamento criminoso do serial killer e o verniz superficial de personalidade
para contato. Sem esse verniz, serial killers não poderiam viver na sociedade sem serem
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presos instantaneamente.
O fato de controlar seu comportamento para que isso não aconteça mostra que o
criminoso sabe que seu comportamento não é aceito pela sociedade, e que seu verniz
social é deliberado e planejado com premeditação. É por esse motivo que a maioria deles
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é considerada sã e capaz de discernir entre o certo e o errado.
A dissociação que fazem dos seus crimes enquanto estão num contexto social é
tão profunda que muitos serial killers, quando são presos, negam sua culpa e alegam
inocência com convicção e, mesmo que as provas para sua condenação incluam
fotografias dele mesmo com suas vítimas, objetos pessoais das vítimas encontrados em
30 Ibidem, p.21.
31 Ibidem.
32 CASOY, Ilana. Ob. cit, p.21.
33 Idem, p.21.
34 Ibidem.

