Page 20 - ANÁLISE PSICOLÓGICA E CRIMINOLÓGICA
P. 20
2.3 DA CONDUTOPATIA
Entre a normalidade e a doença mental existe uma fronteira com limites
imprecisos onde se encontram os indivíduos com perturbação da saúde mental, que
inclui os condutopatas.
Os condutopatas, também chamados psicopatas, sociopatas ou fronteiriços, são
indivíduos egoístas, impulsivos, incapazes de sentir culpa ou de aprender com a
52
experiência ou com o castigo.
Essas alterações do comportamento resultam basicamente do comprometimento
de 3 (três) estruturas psíquicas: afetividade, conação (intenção mal dirigida) – volição
53
(movimento em direção ao ato) e capacidade de crítica.
O comprometimento da afetividade gera insensibilidade, indiferença a elogios e
críticas, egoísmo e frieza que os torna alheios ao sofrimento do próximo, além da
54
ausência de sentimento de piedade.
Como a conação-volição está afetada, há intenção mal dirigida e o movimento
voluntário em direção ao ato não tem o freio de crítica. Isto porque há comprometimento
55
da capacidade crítica e de julgamento de valores éticos-morais.
Em outras palavras, uma vez que surja o impulso mórbido, a conduta que o
caracteriza não é inibida, pois a autocrítica e o juízo de valores éticos-morais estão
56
anormalmente estruturados.
As estruturas da mente como inteligência, memória e senso-percepção estão
íntegras. Dessa forma, não apresentam delírios, nem alucinações e, caso isto ocorra pelo
57
uso de drogas ou bebidas, constitui mero fator coadjuvante e não causa do distúrbio.
O condutopata não prevê as conseqüências dos seus atos, não observando as
regras mínimas de segurança. Mas também não sofre com os mesmos, a não ser que as
58
conseqüências o atinjam ou que tenha fracassado na ação.
52 Ibidem, p.198.
53 Ibidem, p.198.
54 Ibidem, p.198.
55 Ibidem, p.198.
56 Ibidem, p.198.
57 BITTAR, Neusa. Ob. cit, p.195.
58 Idem, p.199.

