Page 22 - ANÁLISE PSICOLÓGICA E CRIMINOLÓGICA
P. 22
O autor Guido Arturo Palomba nos esclarece que os assassinos seriais são
64
aqueles que assassinam em série, de maneira semelhante e repetitiva, dividindo-se em
três tipos: normal mentalmente, doente mental e fronteiriço.
Os assassinos em série normalmente sãos são aqueles que têm um motivo para
os crimes praticados, sejam eles econômicos (matadores de aluguel), políticos (ditadores
65
chefes de Estado) ou fanatismo (terrorista).
Por sua vez, os doentes mentais são aqueles que cometem os crimes sozinhos
em decorrência de descarga de agressividade, sem que haja qualquer estímulo externo,
visando atingir o maior número de vítimas possíveis e, geralmente, suicidando-se a
seguir. Aqui se enquadram os franco-atiradores (mass murderer), os quais matam 4
(quatro) ou mais vítimas em um único episódio, num mesmo local, bem como os
matadores ao acaso (spree killers), que matam em locais diversos, num lapso de tempo
66
muito curto, pois vão andando e matando quem aparece no caminho.
Finalmente, há os assassinos seriais fronteiriços, que é o assassino serial
propriamente dito, que são aqueles indivíduos condutopatas, que cometem 2 (três) ou
mais homicídios sem motivo plausível, havendo espaço de tempo entre os mesmos.
67
Mostram, via de regra, um indivíduo aparentemente normal, inteligente e calculista.
Teoricamente, mais de 3 (três) homicídios, principalmente se análogos, com
requintes de perversidade, com conotação sexual, com presença de lesões que
signifiquem vontade de mastigar e engolir as vítimas (canibalismo) pode indicar um
assassino em série condutopata.
Se no caso do assassino serial doente mental a ação em série é praticada em um
curto espaço de tempo, no assassino serial fronteiriço, também, por via de regra, entre
68
assassinato e assassinato, o intervalo de tempo pode ser longo.
Conforme já dito anteriormente, os atos criminosos dos assassinos seriais
fronteiriços, enfoque do presente trabalho, não provêem de mentes adoecidas, mas sim
o
62 BARBOSA, David Pimentel. Abordagem crítica PLS n 140/2010: o “serial killer” como inimigo no
Direito Penal. Disponível em: < http://jus.com.br/revista/texto/20457/abordagem-critica-ao-pls-no-
140-2010-o-serial-killer-como-inimigo-no-direito-penal >. Acesso em: 08/07/2012.
63 CROCE, D. Manual de Medicina Legal, 1998.p.560.
64 PALOMBA, Guido Arturo. Tratado de Psiquiatria Forense, 2003. p.524.
65 Idem, p.524.
66 Ibidem, p.524.
67 Ibidem, p.525.
68 PALOMBA, Guido Arturo. Ob.cit, p.525.

