Page 26 - ANÁLISE PSICOLÓGICA E CRIMINOLÓGICA
P. 26
O crime praticado pelo psicopata, se violento, apresentará, no mínimo, quatro
dentre as sete características seguintes: multiplicidade de golpes, ausência de motivos
plausíveis, ferocidade na execução, ausência de premeditação, instantaneidade na ação,
falta de remorso e amnésia ou reminiscências mnêmicas confusas. No caso do
condutopata, tem-se notado que, via de regra, a memória quase sempre está
conservada, nunca dá remorso e o delito pode dar uma falsa idéia de premeditação. Em
verdade, são apenas atos ordenados, complexos, mas desprovidos de crítica, de
emoção, de sentimento superior, que os franceses chamam de “automatismos mentais
76
de longa duração”.
Após o primeiro homicídio, os assassinos seriais ficam absorvidos pela idéia do
crime e com recordações do prazer propiciado pelo ato, o que contribui para os delitos
77
vindouros.
Segundo nos ensina a autora Neusa Bittar, os psicopatas sempre praticam crimes
com requintes de perversidade, mutilando suas vítimas antes ou depois da morte,
dificultando o seu reconhecimento. Além disso, ritualizam a cena do crime, como se fosse
sua assinatura, através de um comportamento único que realizam antes, durante ou
78
depois do crime.
Agem linearmente e sem emoção quando planejam, executam ou recordam o
79
crime, não sentindo nem angústia, nem remorso.
Além disso, podem ser praticados contra pessoas próximas, colegas de trabalho,
familiares conhecidos e, quando isso acontece, não raro é o criminoso condutopata ir ao
enterro da vítima, como se nada tivesse a ver com o crime.
3.3 DO PERFIL CRIMINAL
Após a análise feita acerca do comportamento e das características dos
assassinos seriais, podemos então traçar um perfil criminal desse tipo de assassino.
76 FERRIO, Carlo. Trattato di Psichiatria Clínica e Forense, p. 1928.
77 BITTAR, Neusa. Ob cit, p.200.
78 BITTAR, Neusa. Ob cit, p.201.
79 Idem.

